Hoje é dia de polêmica no Manual! Hoje é dia de chegar no bar, pedir toddynho porque é quase sexta feira e é quase dia de maldade, e irritar uma das mais nervosas e fiéis fan bases da comunidade gamer com um texto que juramos, juramos de pé junto, não é pra causar polêmica. O Manual sempre tentou se isentar o máximo possível de desejos pessoais para tentar analisar hardwares, novidades, games, tudo da maneira mais imparcial possível. E dói, dói de verdade, mas o prognóstico não é favorável para a gigante nipônica, que mais uma vez parece dar um passo pra fora da curva.

Para isso, levamos em consideração o momento em que o console entra em campo, a line-up de lançamento, e possíveis novidades e jogos que talvez venham para o Switch, e até mesmo as novidades futuras já confirmadas. Seguem os argumentos para dar apoio a uma afirmação tão forte, já presente no título desse artigo!

nintendoswitch-frente

 

Péssimo momento de lançamento

A Nintendo gosta de inovar. Sempre foi assim, desde os primeiros lançamentos em hardware da empresa. O problema é que, ultimamente, ela está fazendo de tudo para se distanciar de suas principais concorrentes, a Sony e a Microsoft, mesmo quando não é uma boa ideia fazer esse tipo de coisa.

Vamos começar pelas aparições na mídia. Para quem acompanha o Manual há um tempo, deve saber que ficamos sempre na pilha quando chega o momento da E3. Maior festival de games do mundo, o evento existe desde 1995 e é o responsável por criar e destruir hype de maneira extremamente potente. E parece que a Nintendo ainda não se tocou nisso.

Todo ano, Microsoft e Sony tentam superar uma a outra com eventos gigantescos, trazendo ótimos anúncios de jogos (mesmo que alguns sejam cancelados no meio do caminho, né dona Microsoft?), hardwares, novidades no sistema e novos apps. Os eventos costumam contar com artistas, apoio de fortes publishers, e até mesmo anúncios de novos games third party, que mesmo sendo multiplataforma acabam por ter uma ou outra novidade em diferente plataforma (como o FIFA sempre tem participação na coletiva do Xbox por conta dos Legends, por exemplo).

Sabe qual a participação da Nintendo no evento? Nada. Nadica de nada. A não ser que você queira contar um vídeo gravado e editado dias antes da apresentação como bom uso da plataforma. Não há um estande, apresentadores, demonstrações. Apenas um vídeo previamente gravado sendo assistido por streaming por quem deseja assistir de longe.

E o pior são as atuações completamente bizarras. Quer um exemplo? Em 2015, o vídeo foi protagonizado por três bonecos que representavam os diretores da empresa. A única atuação deles foi gravar a voz por cima do vídeo. Bonecos!!!!

Bom… tudo isso de lado, você já deve estar se perguntando o que tudo isso tem a ver com o Switch. A resposta é bem simples: mais uma vez, a E3 foi completamente ignorada. Ao invés de anunciar seu console na maior vitrine de games mundial, a Nintendo resolveu trazer o anúncio por meio do Nintendo Direct, um evento que aconteceu em outubro do ano passado, onde o novo console foi revelado por meio de um vídeo de dois minutos.

O mais chocante disso tudo é: além de anunciar um console novo em um evento onde só os fãs mais hardcore da empresa estarão acompanhando de perto, a Nintendo irá ignorar completamente o panorama do mercado de games para grandes anúncios: teaser no começo do ano, revelação na E3, mais informações em evento próprio em meados de Setembro e Outubro e lançamento em Novembro.

Sim, Sony e Microsoft seguem exatamente a mesma cartilha. Talvez a Nintendo queira se distanciar delas porque não quer enfrentar diretamente a concorrência. Mas mesmo assim, o timing do console é péssimo: 3 de março. Sim, agorinha. Logo ali. Mal anunciado, atinge as lojas sem alarde em um mês sem feriados ou grandes comemorações.

Lançamentos assim acontecem perto das festas de fim de ano por conta do aumento do número de compras de objetos tecnológicos, jogos e videogames. As pessoas são mais propensas a comprar estes itens no fim do ano, e ter o primeiro mês de vendas de um console bem forte geralmente é um ótimo presságio para o que há por vir. Com tudo isso, será difícil prever pessoas correndo para as lojas, apenas para conseguir comprar seu novo console Nintendo.

 

Hardware defasado… e pouco inovador

A Nintendo, em 2006, resolveu fazer diferente. Ao contrário das concorrentes, lançou um console defasado em termos de poderio técnico, mas extremamente acertado no único ponto em que importa: diversão. O Nintendo Wii atingiu o mercado em cheio, e chegando perto de 100 milhões de vendas, a esperança da Nintendo é a de que o Switch seja um sucesso tão parecido quanto.

O problema é… O hardware, novamente, é bem defasado se comparado a outros consoles atuais, e os PC’s. Em terra de PS4 Pro e Xbox Scorpio, o Switch ainda não teve as especificações completamente reveladas, mas uma fonte da NVIDIA vazou informações da GPU para o site Eurogamer, e as notícias não são muito animadoras.

Segundo o vazamento, o console contará com a placa similar a NVIDIA Tegra X1 – a mesma placa que fornece processamento de vídeo para o NVIDIA Android TV. Por conta disso, já dá para tirar algumas noções de onde o processamento do console fica em comparação a concorrência.

A placa, capaz de processamento OctaCore com 300MHz com o console portátil, e 750 MHz de clock com ele preso a TV, vem com saída HDMI 1.4 capaz de rodar vídeos em 4k, mas apenas com 30 fps. Com a taxa de clock até que baixa, e um processamento não tão forte, o console poderá atingir 720p em sua forma portátil, e 1080p em sua forma de mesa. Isso significa que ele terá um poder de processamento até que interessante para um portátil, mas péssimo para um console de mesa de última geração.

E é exatamente nesse aspecto onde creio estar a falha conceitual do Switch. O Wii acertou por trazer para a indústria uma coisa única. Controles que reagiam com movimento com tamanha precisão era algo novo demais para a época, e bem divertido pensando, por exemplo, em games como Wii Sports, que sozinho vendeu 71 milhões de cópias.

Já o Switch, é uma mistura do Wii U com 3DS. Ele não é nem um portátil de verdade, e nem um console de mesa de verdade. Embora isso abra um leque de opções no sentido de comece a jogar em casa e depois leve para a rua, quem realmente pensa em levar seus jogos mais pesados de PC ou console atual para jogar na escola? No almoço do trabalho?

Essa é a função dos consoles portáteis, com jogos já feitos para tal! Tendo a concorrência também de jogos mobile, bem mais acessíveis, o console sofre por não ser nem um portátil eficiente, e muito menos um console de mesa poderoso. É um conhecedor de todos os ofícios, mas mestre de nenhum.

 

Line up inicial fraquíssima

Bom, já abordamos o fato de o console ser lançado em uma data pouco atrativa comercialmente. Mas outro ponto importante para que um console venda bem são seus jogos, correto? Infelizmente, isso é mais um ponto que a empresa resolveu passar o rolo compressor e seguir em frente como se nada tivesse acontecido.

Sabe quantos jogos acompanham o console no lançamento? Cinco. CINCO! Apenas cinco. E são eles: Legend of Zelda: Breath of the Wild, Super Bomberman R, Skylanders Imaginators, Just Dance 2017 e 1-2 Switch. Acabou.

Just Dance é um multiplataforma conhecido, mas bem forte também no Xbox. Skylanders é mais uma tentativa de jogos Crie-Seu-Proprio-Jogo, que falharam magistralmente nos últimos anos. Super Bomberman R e 1-2 switch são conceitos legais, mas que dificilmente vendem um console sozinhos. Sobra Zelda. Ótimo jogo, mas também presente no Wii U. Ou seja, não há motivo para quem já tem um Wii U migrar de console, por exemplo.

E o pior! Se você acha que está ruim no lançamento, se torna desesperador em meses. Depois disso, veremos Mario Kart 8 (o mesmo do Wii U) em Abril, Splatoon 2 no fim do ano, Super Mario Odissey no ano novo, e é só. Todos os outros games ainda estão no campo da especulação, ou não são relevantes para o mercado de jogos AAA.

Mesmo ainda sendo alimentado por cartuchos, o Switch também não é capaz de retrocompatibilidade, o que ajudaria e muito o problema de uma fraca line-up inicial.

Por fim, não só os games virão defasados na estréia. Alguns apps, como o Netflix, também não estarão disponíveis. Ou seja, você paga por um tablet reprodutor de vídeos em alta qualidade, mas que não possui Netflix nem outros aplicativos de streaming na estréia, objetos indispensáveis para muita gente hoje em dia. GG Nintendo.

 

Preço salgado mundo afora e impraticável no Brasil

Reggie, presidente da empresa, veio eufórico a público dizer que o Switch custaria apenas 300 dólares no lançamento nos Estados Unidos. Segundo ele, a Nintendo se esforçou muito para abaixar o preço do console e lançar ele num valor legal pra todo mundo. O problema é que esse é o mesmo preço pelo qual estão sendo vendidos os consoles padrão de PS4 e Xbox One, e por 100 dólares a mais você consegue levar o PS4 Pro para casa.

Sendo previsto que o console deveria sair por $199 para atrair um bom público, ele contraria as expectativas do mercado ao atingir a mesma faixa de preço de concorrentes mais potentes. A justificativa da Nintendo é o alto custo para se incluir os periféricos de Hardware inclusos no mesmo pacote que o console. Novamente, o problema é que o console não funciona sem os ‘periféricos’, que nada mais são que os controles do Switch. E nem pense em quebrar nada, pois cada módulo custará mais que $50 individualmente.

O console também não tem data prevista de lançamento no Brasil, já que a empresa retirou investimento em terras tupiniquins há algum tempo. Resta saber quando e por quanto será lançado. No Mercado Livre já é possível encomendar a pré-venda com certos vendedores, mas isso está saindo cerca de R$2400.

Além disso, Reggie também anunciou que nenhum Switch será vendido com jogos. Isso será feito para dar maior liberdade para o usuário comprar o jogo que quiser, ainda segundo o diretor da empresa. Mas se trata de apenas mais uma desculpa, e uma bem perceptível, aliás.

Por fim, será necessário pagar para conseguir jogar online, algo que antes não era necessário nos consoles antigos da empresa.

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Como podem ver, o prognóstico é desanimador para o novo console. Resta seguir acompanhando as novidades e torcer para que estejamos errados, já que uma falha aqui pode significar a saída por completo da empresa do ramo de consoles.

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