Hoje o tema da nossa conversa é bem importante. Porque a indústria de jogos não evolui? A culpa é dos consoles? Será que as máquinas da Sony e da Microsoft estão impedindo a evolução, que seria muito maior caso ocorresse exclusivamente no PC?

Meu nome é Marcelo, e irei discutir com vocês sobre esse tema logo abaixo. Caso queira conversar comigo sobre o artigo após lê-lo, você pode tanto usar o inbox da nossa página no Facebook, como também comentar logo abaixo, que será respondido. Agora vamos lá!

 

Especificações de um console

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Antes de avançarmos em questões sobre programação, é necessário entender o que significam os dados de especificação de hardware de um console.

O maior erro que as pessoas cometem é comparar um destes aparelhos diretamente com um computador. A diferença entre eles é que, enquanto o computador é feito para gerir diversas tarefas diferentes, todo o poder de um console é direcionado completamente para a jogatina.

Assim, mesmo que um console tenha “apenas” 8GB de memória, ela está quase que inteiramente disponível para guardar informações de um game. E acredite, 8GB é muita coisa.

Além disso, a GPU de um console trabalha diretamente com o Hardware. A programação é feita para otimizar o processo, e como o game é o único aplicativo utizando-se da placa, fica mais fácil programar de um modo que otimize a qualidade do gráfico sem prejudicar a velocidade do aparelho.

Por isso que os consoles antigos, mesmo contando com somente 512 mb de RAM, conseguem rodar jogos que apenas PC’s com especificações bem altas conseguem executar na mesma qualidade hoje em dia.

Partindo desse princípio, e sabendo que os consoles são sim máquinas poderosas para os próximos 9 anos pelo menos, vou explicar para vocês o real problema da indústria no momento.

 

Programadores. O que são? O que fazem? Eles existem?

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A maioria das pessoas jogam jogos de videogame ou utilizam aplicações poderosas no computador sem ao menos pensar o que ou quem faz tudo aquilo. Como são os processos por trás da criação dessas ferramentas, e principalmente, os passos necessários para a fabricação de tudo aquilo.

Eu e o Lucas, além de escritores no Manual, também somos programadores. E por isso, podemos falar por experiência: é estressante. Mesmo trabalhos pequenos, feitos apenas por você, levam semanas para serem feitos, e cada nova ferramenta que você pensa em adicionar já leva em conta a quantidade de café que você tem que comprar no mercadinho pra aguentar as noites em claro.

É preciso pensar em como cada tela e função comunicam-se entre elas, a experiência que o usuário vai ter passando pelo seu programa, as diferentes possibilidades e caminhos que um programa pode passar ao ser executado…

Agora pense fazer tudo isso em uma empresa com, no mínimo, 100 programadores. O prazo apertado, os conflitos de código, aquele coleguinha que sempre fica doente no dia de entregar os arquivos para você prosseguir com a sua parte…

Agora pense que, a cada nova geração de consoles, fica mais e mais complicado conseguir programar tudo isso. Como exemplo, abra um arquivo de texto e escreva a história da sua vida nele. Ao salvar, verá que não dará nem 1mb de texto. Um jogo hoje em dia tem 40 GIGABYTES de linhas de código, e mesmo tirando as imagens e cutscenes, AINDA SÃO MUITAS LINHAS DE CÓDIGO! Além disso, elas são produzidas em C e C++, que são linguagens mais simples e que não contam com estruturas amigáveis para o programador.

Por isso, o custo de uma equipe é caro. As empresas não podem investir mais dinheiro numa equipe, e por isso acabam estressando ainda mais os empregados envolvidos.

Por fim, imagine você, estressado, fora do prazo, finalmente termina o seu game… E ele entra em Beta, para o pior pesadelo de qualquer programador: A correção de bugs. Caçar por linhas e linhas aquele pequeno erro que está causando o seu assassino no Assassin’s Creed Unity se tornar um monstro longe de qualquer feição humana conhecida.

 

Então, afinal, de quem é a culpa?

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A culpa não é da falta de hardware. A culpa também não é dos programadores, que fazem de tudo e quase sempre entregam um produto de qualidade a você. Tirando essas duas opções, é preciso analisar o último elemento antes de dar o veredito final.

Entre o programador e o usuário final, existem as desenvolvedoras, publicadoras, uma série de empresas envolvidas que compõem a indústria, que ditam prazos e que estipulam os passos de cada projeto, além de organizar as ações de marketing. Mas tudo isso colocando os seus funcionários em situações muitas vezes complicadas e que acabam prometendo experiências irreais para seus consumidores.

Esse cenário é parecido com a situação da indústria dos anos 80. Com a indústria gerando muito dinheiro, cada vez mais as empresas faziam investimentos em vários jogos simultâneos, para aumentar a quantidade de games nas prateleiras sem se preocupar com a qualidade deles. O resultado foi a falência da Atari, uma grande diminuição de investimentos, e um problema que só foi resolvido na década de 90 com a chegada da Nintendo.

Ao analisarmos o cenário atual, podemos perceber algumas similaridades. Grande entrega do mais do mesmo, uma distância financeira ainda maior entre as produtoras indie e as gigantes, e uma diminuição de empresas e investidores na indústria, todos apontadores negativos para o nosso futuro.

 

Como gamers, qual o nosso papel?

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Exatamente por isso, não podemos deixar que as empresas continuem ditando o caminho da nossa indústria. Elas tem que lembrar que os gamers são compradores inteligentes, e que não vão adquirir qualquer produto que colocarem na prateleira.

Imagine se o próximo FIFA que saísse tivesse vendas baíxissimas. Se o novo Call of Duty fosse um fracasso. Tudo isso porque as empresas foram desleixadas e lançaram uma continuação com pouquíssimas novidades.

Ou um jogo como Watch Dogs e The Order: 1886, mesmo com um hype fortíssimo, não parassem nas mãos dos gamers porque tirando todo o marketing, tudo que se vê é um jogo ruim, e principalmente incompleto!

As empresas teriam que pensar três vezes mais antes de lançarem qualquer coisa, e veríamos jogos grandes com qualidade real chegando às nossas mãos.

Lembrem-se que quem manda na indústria somos nós. E que podemos sim reverter essa situação.

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