Texto escrito pelo meu amigo Daniel Cézar!

Existe um evento nerd que eu sempre quis ir: a Comic-Con San Diego, e desde 2014 a Comic con Experience me fez sentir o gostinho da maior convenção de cultura pop do mundo.

Já acostumado com eventos de cultura pop japonesa, eu me surpreendi com a CCXP! Não estava preparado para a presença das empresas que produzem os quadrinhos, os seriados e filmes que tanto amamos. Não estava pronto para a presença de figurinos e peças originais de longas-metragens, ou para o tanto de atividades e brindes que poderia ganhar das minhas franquias favoritas.

No segundo ano, para ser sincero, o encantamento meio que passou, mas para muita gente talvez esse foi o mais épico dos três por causa dos astros que o evento trouxe, embora isso nunca tenha me atraído. Em 2015, o que curti bastante foram os ingressos que vieram em forma de crachá com a imagem de algum personagem, perfeitos para colecionar. Nessa ocasião o prédio estava em obra, obras que não atrapalharam a convenção e criaram a expectativa para uma área ainda maior no ano seguinte.

E as expectativas foram cumpridas, a terceira Comic Con, que ocorreu de 01 a 04 de dezembro de 2016, foi maior e, na minha opinião, a edição mais épica até agora. Com um pavilhão enorme, que deu espaço para vários estandes novatos e outros que já são de casa, como a Warner, a Disney, a Sony, a Netflix e a Turma da Mônica.

Algo que estava em praticamente todo o pavilhão eram jogos de realidade virtual e de mistérios, como o da AXN, que depois de uma longa fila se mostrou uma atração bem divertida em que você tinha de descobrir o assassino e poderia até render uma participação em uma atração do canal. Eu não acertei o culpado, porém ganhei um caderninho e um distintivo maneiro.

A divulgação do Triplo X trouxe um Halfpipe para os mais radicais, enquanto do seu lado o estande do Ghost in the Shell era possível entrar em uma cabine que simulava a clássica cena da Major saltando do prédio com sua tecnologia de invisibilidade.

Os estandes mais concorridos foram o da Warner Bros que estava oferecendo tatuagens descartáveis e bolsas temáticas das series/filmes da DC Comics, a da Fox, onde o item mais querido era a Lucille, de mentirinha (obvio), o bastão mais amado e odiado do ano. Na Netflix rolava a nova versão do quiz via wi-fi sobre as suas series e com karaokê, onde as músicas de Orange e Sense8 eram repetidas incansavelmente. Se tivesse “The Clash – Should I Stay or Should I go” eu com certeza cantaria so que não, mas o que eu realmente gostei foram as máquinas de Pinball temáticas de Narcos. Pena que a sorte não estava comigo, ganhei nem um bottom, eles deviam pegar mais leve nas pontuações…

A Artists’ Alley ficou bem localizada, era praticamente impossível não passar por ela e contou com uma boa quantidade de artistas, inclusive internacionais. Surpresa foi o espaço com um pequeno palco onde bandas de rock botavam para quebrar, lojas de instrumentos musicais, grifes como a Cavalera e etc.

Contudo, os painéis foram as atrações principais da CCXP, dessa vez praticamente todas as coletivas dos astros do cinema ocorreram dentro dos auditórios, onde foram exibidos diversos trailers e teasers inéditos.

Em questões de compras, eu acredito que era possível conseguir algumas coisas por um preço interessante, mas é sempre bom dar uma pesquisada na internet antes e dentro da própria CCXP também, os cabeçudos Funko’s variavam em até R$ 15 entre as lojas. Porém, alguns estandes de vendas estavam quase sempre cheios com grandes filas para pagar e às vezes para entrar também. No geral as lojas tinham uma grande variedade de produtos e um bom atendimento, outras nem tanto, por exemplo na Panini, os funcionários não sabiam informar valor dos produtos e nenhum valor de desconto era exibido, te forçando a pegar tudo o que você quer e levar em uma máquina de ler preço.

Tenho de elogiar o evento por permitir a entrada de alimentos, porém, achei estranho que na quinta (01/12) existia uma fileira de seguranças que passavam um detector em você e tal, sábado (03/12) essa segurança sumiu… e também no dia primeiro, as pessoas que deveriam ajudar com as informações estavam um pouco nervosas e não ajudaram muito. Digo o mesmo do mapa, que não era dos melhores, mas ok.

No sábado, o problema foi a hora da saída, a fila dos ônibus estava muito longa, porém, apesar da falta de sinalização, eles acertaram em deixar a fila em um local coberto e conduzir as pessoas que iriam a pé por dentro do estacionamento, evitando que elas atravessassem onde não deviam.

Por fim o saldo foi muito positivo e eu não consigo mais pensar em perder uma edição sequer. A CCXP me faz sentir importante para essa indústria cultural, trazendo uma percepção de que eu, você, os nerds de todo este país, somos mais do que meros consumidores, que nós somos parte desse meio.