O painel da Globo foi focado nas produções seriadas para 2017 e contou com a presença de diversas celebridades da emissora. O humorista Marcelo Adnet comandou o painel com direito a piadas prontas e alguns improvisos. A primeira produção apresentada se chama Vá de Retro, uma série cômica protagonizada por Tony Ramos e Môniza Iozi, que foram ao palco com o roteirista Alexandre Machado para falar a respeito. Na série, Tony Ramos é um político que representa a figura do Diabo, embora não seja literalmente ele. Já Mônica Iozi é uma advogada que o personagem de Ramos acredita que pode ajudá-lo. Pelo conteúdo exibido, é possível perceber que há uma linguagem interessante que brinca com o paralelo entre o real e o sobrenatural. A conversa teve direito até a alfinetadas ao presidente Temer por parte de Iozi.

Em um momento, Adnet surpreendeu a todos ao revelar que o também humorista Fernando Caruso estava no meio da plateia. Todos os olhares se voltaram quando ele se revelou como um Homem-Aranha fantasiado, em assumida referência ao ator Andrew Garfield na Comic Com de San Diego. Caruso passou a cuidar das perguntas feitas pelo público durante as apresentações.

Depois, foi a vez de um dos projetos mais interessantes do painel. A série Carcereiros, baseada em uma obra de Drauzio Varella, mistura ficção e documentário para falar sobre a rotina dos agentes penitenciários e os problemas que enfrentam em seu trabalho. Os idealizadores Fernando Bonassi e José Belmonte disseram que a intenção é promover discussões sobre a visibilidade aos carcereiros que, segundo eles, são heróis invisíveis na sociedade. Também há a promessa de um debate sobre o Estado e as organizações criminosas. A série conta com Rodrigo Lombardi como protagonista, que substitui o falecido ator Domingos Montagner. As cenas exibidas indicam muita tensão e violência, alternadas com depoimentos de agentes penitenciários reais.

Bruno Mazzeo foi falar sobre seu projeto intitulado Filhos da Pátria, o que gerou uma insinuação de trocadilho com um palavrão, feita por Adnet, que resultou em risos. A série se passa logo após o Brasil ganhar a independência, e a sacada é abordar a situação política da época de forma comparativa com a atual, estudando as semelhanças. O momento propiciou mais agulhadas sobre o momento político brasileiro por parte dos dois humoristas, que em alguns momentos sequer fizeram piadas, como é natural deles. As cenas apresentadas realmente remetem não apenas à política atual (com direito a piadas como “Primeiramente fora Pedro”), mas também a outras questões sociais muito presentes nos dias de hoje. O elenco conta com Fernanda Torres, Alexandre Nero, Marcos Caruso e Matheus Nachtergaele. Da plateia, Fernando Caruso fez uma interessante associação do tom do humor com Monty Python, clássico grupo de comédia britânico.

A única apresentação que não contou com cenas foi Zózimo, uma série policial no Rio de Janeiro dos anos 50. O autor Mauro Wilson e os atores Vladimir Brichta e Ailton Graça, que também faz parte de Carcereiros, compareceram ao palco. A falta de material se deve ao fato de que as gravações ainda não começaram como foi explicado por eles. Zózimo é um ex-policial que se tornou detetive particular, vivido por Brichta. Já Ailton Graça faz um advogado e amigo do protagonista, embora os dois sigam caminhos diferentes. O trio contou que a intenção é explorar os valores morais da época a fim de proporcionar uma análise em relação a como eles vieram a se desenvolver na sociedade atual. O autor respondeu a uma pergunta do público sobre a fotografia ser em preto e branco, já que as imagens de referência passadas no telão eram todas isentas de cores, remetendo aos primórdios do cinema noir. Segundo ele, a série não reproduzirá a estética clássica e o diretor de fotografia está trabalhando em algo mais próximo do excelente filme Los Angeles: Cidade Proibida.

As duas últimas apresentações foram sobre a atual fase de Zorra e a próxima temporada de Tá no Ar, da qual Adnet faz parte. Para falar a respeito, foram ao palco Marcius Melhem e Maurício Farias. Eles comentaram sobre o desafio de dar uma nova estrutura ao programa tradicional de humor da emissora, em busca de atingir um novo público, e comemoraram o sucesso que o programa vem obtendo desde a reformulação. Por fim, exibiram trechos de esquetes para o próximo ano, com as de Tá no Ar em seguida. O painel encerrou com bastante descontração e os humoristas se retiraram muito aplaudidos.