O esperado painel do primeiro dia da CCXP, em grande parte pela presença da atriz Natalie Dormer, começou pouco após o término da apresentação da Lucasfilm e a princípio demonstrou certa similaridade. Primeiramente, Will Simpson, artista responsável pela arte e storyboards da série, apresentou seu processo de criação em uma entrevista bem realizada pela responsável por comandar o painel, Natalia Bridi.

Simpson revelou que realizou algumas artes para a série antes de saber do que se tratava o projeto. Outra curiosidade foi quanto ao fato dele saber algumas coisas sobre a história antes mesmo dos atores. Enquanto a conversa rolava, as artes de Simpson eram exibidas no telão. Destaque para a riqueza de detalhes em seus storyboards que, como bem observado pela entrevistadora, mais parecem HQs.

Depois, foi a vez de Sven Martin, responsável pela criação dos efeitos visuais da série,  falar principalmente sobre como foi dar vida aos dragões. Dessa vez não houve interação por parte da entrevistadora, tendo um perfil próximo ao da apresentação de Dave Fogler da Lucasfilm. Isso gerou alguns comentários em comum, pelo que pude observar por parte do público, quanto à dinâmica da apresentação ser um tanto lenta e segmentada. Não retiro a razão de quem ficou desinteressado pelo assunto, mas particularmente fiquei interessado pelo que vi. Martin revelou ter utilizado um frango como base para a articulação dos dragões, e que pediu para que sua equipe brincasse com o frango (!), com o intuito de se inspirarem nas articulações possíveis. Outra coisa interessante foi a explicação do efeito prático do fogo produzido pelos dragões. Sim, utilizaram fogo real em uma cena da terceira temporada na qual Drogon queima um personagem inteiro. Ao final, novamente como na Lucasfilm, houve um belo vídeo com cenas mescladas entre seus estágios finais e iniciais repletos de chroma key.

Finalmente o momento mais aguardado do painel, Natalie Dormer entra no palco ovacionada pelo público e esbanja carisma desde o primeiro momento. Natalia Bridi novamente assume a função de entrevistadora e conduz a atriz com perguntas que proporcionam excelentes respostas. As curiosidades ficam por conta do personagem e cena que Natalie prefere, sendo o Cão e a morte de Joffrey respectivamente. Ela também menciona que quer ver Cersei sofrer na próxima temporada, e que haja uma bela vingança da casa Tyrell pelo ocorrido no final do sexto ano. Mas nem tudo foi a respeito da série. A conversa passou por caminhos como política, a representatividade feminina e sobre como a atriz escolhe seus papéis.

Natalie, muito inteligente, mencionou o quanto é importante que Game of Thrones e Jogos Vorazes, duas franquias que destacam sua carreira, apresentem personagens femininas fortes e independentes, capazes também de assumir o protagonismo e inspirar tanto o público feminino quanto o masculino. Quanto às suas escolhas ao entrar em projetos, ela deixou claro que o que mais importa é a riqueza do roteiro e o quanto ela pode desenvolver a personagem a partir dele, independentemente do tamanho da produção. Ela completa dizendo que no momento acredita que a maior qualidade narrativa atualmente se encontra na TV, mas que ainda há coisas interessantes para explorar no cinema.

Com muita simpatia e bom humor durante toda a entrevista, o final chegou com aquele gosto de quero mais. Natalie Dormer terminou agradecendo e mandando mensagens de carinho aos fãs, que novamente corresponderam com grande euforia.