Em 2015 a Globo surpreendeu com a apresentação de Supermax, com o discurso de que seria a primeira série de um canal de TV aberta com o formato de séries internacionais. Além do primeiro e instigante trailer, a presença da emissora em um painel da Comic Com Experience (que já é o maior evento de cultura pop da América latina) pareceu comprovar que o discurso carregava intenções reais.

Não apenas isso, mas indicou que a Globo está interessada em explorar novos campos do audiovisual, dada a necessidade de se adaptar a uma nova geração de público que exige material diferenciado.Não à toa podemos conferir uma mudança até mesmo na tradicional novela do horário nobre, Velho Chico, com uma linguagem estética e narrativa fora do comum, e que pode ser apenas o começo de uma nova fase.

Pois bem, mesmo que ressaltada a intenção de obter novos alcances, é verdade que pairou sobre muitos a dúvida de que a Globo seria capaz de produzir um material à altura do que se vê lá fora. O primeiro contato pode não responder pela série inteira, mas já passa uma noção do que vem por aí.

 

A ideia de Supermax

Para quem não conhece, a trama gira em torno de doze pessoas que decidem participar de um reality show em um presídio de segurança máxima na Amazônia, vivendo confinadas e participando de desafios com o intuito de ganhar o prêmio de R$ 2.000.000,00. Ou talvez mais do que isso, pois logo descobrimos que cada um dos participantes já cometeu algum crime em um momento de suas vidas, e lá eles também buscam por redenção.

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Após uma interessante introdução dos participantes que confere um breve caráter realista à obra, na qual eles conversam com alguém por trás da câmera, as regras do jogo são explicadas de imediato tanto para o espectador quanto para os participantes. A princípio, o imediatismo passa uma impressão burocrática e também didática da narrativa, já que a explicação poderia ocorrer aos poucos conforme a história anda. Porém, pelo primeiro episódio ainda não há como saber até quando as regras importarão, visto que em breve tudo se tornará um verdadeiro caos para os personagens.

Naturalmente, ainda não é possível saber quais são as raízes do terror na trama, mas ele é inserido com sutileza e abre margem para o suspense. Pela construção, é possível lembrar-se de séries consagradas como American Horror Story e até mesmo o toque sobrenatural de Lost, que promoveu incansáveis buscas por respostas pelos espectadores. Supermax parece acertar muito bem nesse quesito. Os personagens ainda não fazem ideia do que está acontecendo, mas já tiveram vislumbres do mal que está à espreita.

Os personagens, aliás, são bem diversificados em questão de personalidade e outros atributos. Todos disfuncionais, cada um carrega seus próprios demônios e terá de lidar com eles, e tudo indica que o passado será mostrado aos poucos com o uso de flashbacks, de uma forma que novamente remete a Lost. As relações entre os participantes, inclusive de atrito, acontecem de maneira muito comum em reality shows como Big Brother. E é importante mencionar o programa da Globo uma vez que Supermax tem como apresentador justamente Pedro Bial. Sua presença metalinguística causou estranhamento e críticas por parte de muitos antes do lançamento, quando a ideia soava absurda. Já em cena o motivo se torna perceptível. Se foi um acerto ou não, o fato é que aparenta uma tentativa da emissora de familiarizar aqueles que não são o público primário da série com seu programa tradicional. Ou, além disso, fazer uma sátira consigo (e há momentos em que isso fica aparente).

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Elenco e ambientação

Pouco ainda pode ser dito sobre o elenco. Uns atores se destacam e outros nem tanto, e há diálogos em certos momentos que parecem pouco ajudar a consagrá-los. Isso deve mudar com o avanço dos episódios, onde os personagens certamente ganharão mais densidade. De qualquer maneira, há atores muito capazes, como a versátil Mariana Ximenes, e o jovem Ravel Andrade, que demonstra seguir bem os passos de seu irmão mais velho, Júlio Andrade (1 Contra Todos).

Não há como não falar dos quesitos técnicos, que chamam atenção desde o trailer. A fotografia ora brinca com a simulação de um reality show e confere um aspecto documental, ora segue a linha de um autêntico thriller e explora por vezes enquadramentos fechados que enaltecem o encarceramento dos personagens. O mesmo se aplica à montagem. E os efeitos visuais são outra aposta dos idealizadores e devem surpreender ao longo da temporada.

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Apesar do gancho no final pouco intrigar mesmo apresentando um dos breves elementos de terror dos mais de 40 minutos de arte, entre erros e acertos a estreia chama atenção pela tentativa de ousar, e apresenta um resultado satisfatório para que os demais episódios sejam conferidos. Mais do que isso, mostra que o Brasil é sim capaz de fugir do óbvio para criar algo diferente. Esperemos que se torne de fato uma tendência e a Globo passe esse conceito para o cinema também.

Estamos animado para a continuação da série! E você leitor, o que achou? Até a próxima!