A Motorola sempre teve linhas claras de desenvolvimento de Smartphones: A sua linha G, que entregava qualidade a um preço acessível, e sua linha X, que trazia o que a empresa podia oferecer de melhor. Com a chegada da Lenovo, várias mudanças estão surgindo: A linha G trouxe potência e custo alto com o Moto G4 Plus (confira nossa análise sobre ele), e o Moto X veio com três versões que trazem potência e bateria.

Nesse cenário de mudanças, começaram a surgir rumores de um suposto Moto Z. A primeira questão era: onde essa linha iria se encaixar? Seria uma linha de acesso a marca, ou um Smartphone de luxo para competir com os aparelhos top-tier do mercado?

Após o seu lançamento, vimos que a proposta do Moto Z é de ser um aparelho “de luxo”, mas trazendo consigo uma proposta totalmente inovativa. Com um design chamativo e uma espécie de “modularidade” diferente: Componentes que se encaixam magneticamente na traseira do aparelho, os Snaps.

Será que a proposta deu certo? É o que vamos ver agora, nessa análise:

 

Índice

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Tirando da caixa

Hoje em dia uma das grandes atrações dos Smartphones top de linha é sua caixa. A versão que recebemos da Lenovo para testes vem com uma caixa grande e pesada, com uma aparência clean seguindo as diretrizes da linha Moto.

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Ao abri-la, podemos encontrar muito bem organizado diversas coisas: O Moto Z na versão branca com dourado, um carregador TurboPower USB -C, um adaptador de fone de ouvido USB -C, cabo USB-C, uma ferramenta para remover a gaveta do SIM, um bumper transparente para o aparelho, um fone de ouvido estéreo e três snaps na caixa do aparelho:

  • Snap Style Shell Madeira Gris
  • Snap Incipio Offgrid Power Pack Branco
  • Snap Moto Insta-Share Projector + Bolsa protetora

Esse kit está no site do Moto Z disponível para compra, no entanto, a Lenovo ainda nos enviou para teste o Snap JBL Soundboost Branco.

Iremos falar aqui do Snap Style Shell, guardando os outros três para análises separadas que você verá em breve aqui no Manual.

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Aparência e tela

Ao tirar o Moto Z da caixa e pegá-lo logo nos surpreendemos com a leveza do aparelho, pesando apenas 136 gramas. Número baixo que reflete também na espessura, tendo incríveis 5.19mm!

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A elegância e capricho está por toda parte, começando pela traseira inteira em metal aeronáutico na cor dourada (também disponível na cor prata), com a qual a Lenovo conseguiu trazer algo que surpreende mesmo os mais exigentes. A câmera traseira é protuberante em formato de círculo na parte de cima, enquanto que na parte de baixo temos talvez um dos únicos pontos estéticos que gera certa estranheza: Os contatos para conectar as snaps, que acabam sendo visíveis e não tão bonitos.

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Infelizmente o material carrega bastante marcas de dedo, sendo que qualquer contato com as mãos já deixam suas marcas na traseira. É o preço que se paga por trazer materiais finos e de alto brilho.

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A Snap que acompanha o aparelho é uma Style Shell, que se encaixa através de imãs perfeitamente na traseira do Moto Z. Ela está disponíveis em diversas cores no site da Lenovo, sendo que a que recebemos é em madeira na cor Gris.

Em conjunto com o bumper, ambos se tornam bons substitutos das famosas capinhas que os usuários usam para proteger o smartphone, porém ficam bem mais legais no aparelho, protegendo a traseira e as bordas. Sem falar de que a Style Shell foi feita para que a protuberância da câmera acabe com o uso dela, trazendo também mais “harmonia” ao design com ela.

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Falando nas bordas, elas são na cor dourada com textura fosca, sendo levemente curvas, melhorando um pouco a pegada e a ergonomia que foi prejudicada pela finura do aparelho.

Na parte de cima temos a gaveta para o SIM e Micro SD, e um pequeno “risco” no centro que nada mais é do que a antena. Diversos aparelhos colocam grandes marcas para ser esse componente, e a Lenovo conseguiu minimizar bastante o efeito negativo da estética colocando ele por ali.

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Outro lugar que ele aparece é na parte de baixo, porém sendo ainda mais discreto, marcando presença ao redor do conector USB-C. E ali, não temos nada mais, nem mesmo as entradas P2 para fones de ouvido, que foi retirada dessa versão do aparelho, estando presente no Moto Z Play.

Em um dos eventos de anúncio do Smartphone, questionamos a Lenovo sobre isso e nos foi passado que, além do USB-C proporcionar uma qualidade sonora melhor e do aparelho trazer um adaptador, fisicamente não seria possível colocar a entrada ali por causa da espessura do aparelho.

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Os botões de volume e de ligar ficam na lateral direita do Smartphone, posição praticamente padrão atualmente. Os três botões são muito parecidos, sendo que o que diferencia eles é uma textura mais áspera no botão de ligar.

A parte da frente do aparelho acomoda uma grande tela AMOLED de 5,5″ com resolução 2K (1440 x 2560 pixel) resultando em 535 ppi (pixels por polegada) com proteção Gorilla Glass 4. A qualidade dela é equilibrada, trazendo cores vivas com o AMOLED, porém sem satura-las.

A resolução se mostrou mais do que suficiente, dando pontos de acerto à Lenovo por não ter exagerado e trazido mais do que o olho humano consegue distinguir. O ângulo de visão é muito bom graças ao AMOLED, que não traz distorção de cores ao ver a tela em uma diagonal.

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A única crítica por aqui fica de que o Moto Z Play, versão mais barata do Moto Z, traz uma tela Super AMOLED, enquanto que esse apenas AMOLED. Não conseguimos entender o porque que a Lenovo fez isso.

Ainda na parte da frente, temos o único alto-falante do aparelho na parte superior, revestido em uma borda dourada. Dessa forma, não temos um som estéreo, mas que não tira o mérito do alto falante estar em uma boa posição. Ao lado dele temos a câmera frontal e um flash, enquanto que do outro lado temos um sensor.

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Na parte de baixo, os sensores também marcam presença nos dois lados. Entre eles, temos o leitor de impressões digitais com a logo “Moto” acima dele.

Em geral, o design frontal é bacana, porém a cor escura dos sensores acaba chamando muita atenção no Moto Z branco, algo que não acontece com o aparelho na cor preta.

 

Sistema

O Moto Z traz o Android Marshmallow 6.0.1, com garantia de atualização para o Android Nougat 7.0 muito em breve.

O sistema não tem nenhuma modificação na aparência, contando apenas com algumas funcionalidades exclusivas da fabricante:

  • Moto Snaps: Um menu nas Configurações que dá acesso a todas as informações e alterações a se fazer no snap eventualmente conectado;
  • Privacidade da Motorola: Outro menu nas Configurações que dá controle a tudo sobre o que a Lenovo recebe sobre seu aparelho;
  • ID da Motorola: Também nas Configurações, dá acesso as configurações de sua conta com a Motorola;
  • Moto: Aplicativo eficiente da Motorola que permite configurar os comandos de voz, as ações por gestos e a Moto Tela, recurso que quando a tela está desligada, ela acende apenas os pixels necessários para mostrar as notificações recebidas em uma tela negra;
  • Câmera: O software de câmera é exclusivo da Motorola, sendo recheado de funções automáticas e também manuais.
  • Sensor de impressões digitais: Na aba Segurança das Configurações, temos todas as opções de cadastro referentes ao sensor, que falaremos mais abaixo.

Confira algumas imagens do sistema:

 

Desempenho e armazenamento

O hardware em questão é um Qualcomm Snapdragon 820 MSM8996 64 bit, processador Dual-core 1.8 GHz Kryo + Dual-core 1.6 GHz Kryo, somado a 4 GB de RAM e a uma Adreno 530 como GPU.

Mesmo com um downgrade no clock do processador em relação ao modelo internacional (2.2 GHz para 1.8 no modelo nacional), creio que não haja dúvidas que em um aparelho desse porte não exista problemas em relação a desempenho no sistema, trazendo todas as telas fluídas, instalações rápidas de aplicativos e nenhum tipo de travamento.

Em relação aos games, testamos diversos jogos, sendo os principais: Asphalt 8 Airborne, Subway Surfers e Real Racing 3. Todos rodaram com perfeição, não aqueceram em demasiado o aparelho e trouxeram loading rápidos.

Não houve nenhum tipo de problema também em games como Pokémon GO, que exigem também velocidade do sensor de localização e do giroscópio, que se mostraram rápidos e precisos na região da Grande São Paulo.

Não somos fãs de benchmarks, mas para os adeptos, iremos falar deles. O aparelho sofre nos números pelo fato de que qualquer teste em 3D não pode ser feito pela incompatibilidade com o hardware. De qualquer maneira, segue as imagens:

De maneira geral, considerando que os testes 3D não puderam ser executados, o Moto Z se saiu bem. Acreditamos que em breve teremos uma atualização, seja no Moto Z, ou nos aplicativos de benchmarks, que possibilitarão termos um teste real do aparelho.

Em relação ao armazenamento interno, a Lenovo trouxe a versão do Moto Z com 64 GB, espaço de sobra para o que der e vier. Caso ainda falte, temos ainda a opção de expandir via cartão Micro SD de até incríveis 2 TB, porém, a gaveta que carrega o Micro SD é daquelas híbridas que você tem que escolher entre Dual Chip ou 1 SIM + 1 Micro SD.

 

Sensor de impressões digitais

O sensor de impressões digitais do Moto Z suporta até 10 impressões diferentes na sua configuração, que é rápida e eficiente.

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Em relação ao reconhecimento, ele é tão bom quanto o do Moto G4 Plus, sendo instantâneo e reconhecendo em praticamente todas as vezes que colocamos um dedo cadastrado.

Caso ele não esteja entre os cadastrados, é pedido o PIN, o desenho ou a senha escolhida, assim como quando se liga o aparelho e acontece um desbloqueio pela primeira vez.

Um recurso interessante é que ao segurar qualquer dedo em cima do sensor com a tela ligada, ela desliga, dando função ao mesmo durante o uso do smartphone.

 

Bateria

A bateria do Moto Z tem 2600 Mah de tamanho, um número que a princípio nos assustou por ser um pouco baixo. No entanto, sabemos que um bom conjunto de tela + hardware + sistema pode fazer com que a autonomia seja eficiente.

Logo no começo do teste do aparelho, já começamos a reparar na autonomia e fazer as devidas medições.

No dia a dia ela aguenta bem, durando um dia todo (das cinco da manhã até as nove da noite) em uso relativamente alto de mensageiros, redes sociais e internet, tudo isso com brilho automático, sendo que usamos o 4G durante o dia e WiFi durante a noite.

Se jogarmos, a bateria cai mais rápido, sendo que tivemos que carrega-la por volta das 15 horas quando jogávamos cerca de uma hora e meia pela manhã.

Para fins de teste, deixamos o aparelho no WiFi rodando um filme da Netflix de uma hora e quarenta minutos. Começando com ele 100% carregado, no fim do filme tínhamos ainda 41% de bateria.

Diante dos testes, vimos que a bateria segue o padrão do mercado: não é o suficiente, mas está na média.

O lado bom é que temos um carregamento extremamente rápido com o carregador Turbo, que chega em menos de meia hora aos 50% (estando quase zerada) e depois demora quase uma hora a mais para chegar ao 100% (ele carrega mais lentamente a medida que passa da metade da carga para não sobrecarregar) e ainda temos a Snap Incipio que nada mais é que um PowerBank acoplado na traseira do aparelho quando precisarmos. Falaremos mais dela em um post separado.

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Som

Já criticamos lá em cima o fato do som não ser estéreo, tendo apenas um alto falante. No entanto, analisando a qualidade dele vemos que a Lenovo tentou compensar ao máximo o ponto negativo.

A qualidade é alta, assim como a altura do som. Todos os graves e agudos são muito bem reproduzidos em total equilíbrio, não estourando ou abafando nenhum deles.

Para ajudar, ainda temos disponível a Snap da JBL que é um grande soundboost para o smartphone, trazendo uma qualidade absurda ao som. Teremos logo mais uma matéria falando só sobre essa snap, incluindo um comparativo de áudio do aparelho reproduzindo uma música com e sem a snap.

Já em relação ao som, temos a polêmica do smartphone não ter entrada P2 para fones, trazendo assim um adaptador para o mesmo e um fone inclusivo na caixa que estampa a marca da Lenovo.

O adaptador parece ser resistente o suficiente para aguentar o dia a dia, enquanto que o fone intra-auricular traz uma qualidade mediana.

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Câmera

Depois de errar muito nas primeiras versões da linha Moto, a fabricante vem acertando na última linha Moto X e no Moto G4 Plus, mantendo a média no Moto Z.

A câmera traseira de 13 MP traz uma abertura F 1.8, com autofoco, foco manual, Flash Dual Led, HDR e uma estabilização de imagem incrível.

Em um dos eventos de anúncio do aparelho que fomos convidados, o Moto Z foi colocado em um suporte que tremia ao lado de um iPhone 6S, e o aparelho da Lenovo mostrou toda sua força em relação a esse aspecto, deixando a imagem muito mais estável que seu concorrente que já era referência no assunto.

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As filmagens podem ser feitas em 4K a 30 FPS e inclui modo Slow Motion. Todos os modos funcionam muito bem, contando com todo suporte software de câmera da Motorola que pode ser considerado um dos melhores atualmente, proporcionando facilidade para quem usa o modo automático e muitos detalhes para quem opta pelo modo manual.

Todo esse software também está disponível quando se usa a câmera frontal, mas que é mais fraca que a traseira, contando com 5MP. No entanto, mesmo sendo mais fraca as imagens são nítidas e trazem um balanço de cores real.

Em relação a esses aspectos, preferimos mostrar do que falar, então confira diversas imagens tiradas com ambas as câmeras do Moto Z. Clique para ampliar, e quando ampliada, existe um link para a imagem original do lado direito.

Afinal, o Moto Z vale a pena?

Pontos positivos

  • Aparência elegante
  • Velocidade e desempenho
  • Ótimos materiais de construção
  • Tela com alta resolução e qualidade
  • Som de qualidade
  • Grande armazenamento
  • Sensor de impressões de digitais rápido
  • Câmera de alto nível
  • USB Type-C
  • Itens na caixa: Bumpers, Style Shell
  • Android puro
  • Expansão via Snaps

 

Pontos negativos

  • Gaveta híbrida: Ou Dual Chip, ou um SIM e um Micro SD
  • Apenas um alto falante
  • Sensores muito a mostra na frente do aparelho na cor branca
  • Marcas de dedo na traseira
  • A tela poderia ser Super AMOLED como a do Moto Z Play
  • Redução no clock do processador no aparelho vendido no Brasil
  • Necessidade de usar adaptador para fones com entrada P2

 

Vale a pena para quem?

O Moto Z é um aparelho para quem busca o máximo em desempenho e ao mesmo tempo novidade. As snaps são o grande diferencial, possibilitando expandir as funções do Smartphone com muita criatividade e facilidade.

 

Vale o que é cobrado?

O Moto Z com o kit mais básico (Style Shell e Powerpack Incipio) chega ao Brasil no lançamento por R$ 3.199,00. Enquanto que com o Snap Insta-Share Projector ou com o JBL Soundboost sai por R$ 3.999,00.

O valor é alto, e seguimos o que sempre falamos: nenhum Smartphone vale esse preço. No entanto, diante das possibilidades do Moto Z e de todos os seus pontos positivos, podemos dizer de que ele chegou muito perto de valer o que é cobrado.

Logicamente achamos isso analisando o mercado atual brasileiro, onde preços absurdos como esses são cobrados por aparelhos que lá fora são um pouco mais em conta.

Se você gostou das snaps e queria um aparelho bom, mas sem necessidade de ser tudo no mais alto patamar, existe o Moto Z Play, que traz um hardware mais econômico porém com suporte as snaps e uma bateria melhor por R$ 2.199,00. Faremos uma análise dele em um futuro próximo.

 

E aí, curtiu? O que achou do Moto Z? Comente!