A Lenovo começou a ganhar fama no mercado nacional de smartphones depois de adquirir a Motorola, uma das fabricantes mais famosas do nosso país.

Parece que com essa aquisição, a Lenovo começou a olhar com outros olhos para o Brasil, isso porque além de manter a marca “Moto” com força total, alguns aparelhos estampando “Lenovo” na caixa começaram a chegar, e o mais recente deles é o Vibe B, um smartphone voltado para o setor de aparelhos de entrada, onde tenta brigar na faixa dos R$ 500,00 pelo melhor custo x benefício.

A tarefa não é fácil para a Lenovo, porém esse setor está sofrendo uma certa escassez de bons aparelhos, o que traz esperanças para a fabricante chinesa de que o Vibe B domine o mercado.

Será que ela conseguiu? É o que vamos ver nessa análise!

 

Índice

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Tirando da caixa

Hoje em dia uma das atrações dos smartphones mais robustos são as caixas, que parecem ter uma atenção especial dos designers para trazer algo que surpreenda e impressione o cliente antes mesmo de ver o aparelho.

No Vibe B a Lenovo teve que economizar em diversos aspectos para manter o preço baixo, e a caixa foi o primeiro alvo da fabricante, tendo um design simples e “econômico”.

Dentro dela temos, além do aparelho, uma segunda tampa traseira na cor dourada texturizada, sendo a primeira na cor do aparelho que estamos testando, o preto. Além disso, também acompanha uma película protetora, fones de ouvido, cabo USB e um carregador.

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Aparência e tela

Olhando pela primeira vez para o Vibe B, a impressão que temos é de um aparelho simples.

Com um corpo inteiro de plástico, encontramos na parte traseira uma textura tanto na tampa preta como na tampa dourada que passa a sensação de rigidez no toque. Sensação essa que sentimos a todo momento também devido ao alto peso (144 g) e a grossa espessura (9.9 mm) para o seu tamanho considerado pequeno (132.5 x 66 mm).

Lenovo Vibe B

A câmera traseira e o flash dão “cor” a traseira, junto com o logo da Lenovo e saídas de som na parte inferior da traseira do aparelho. Sempre que uma fabricante traz auto-falantes nessa região ela acaba sendo alvo de críticas, o que não é por menos, afinal, o som acaba sendo abafado quando se segura o aparelho.

Vale dizer que a tampa traseira é removível, dando acesso fácil a bateria também removível, e aos slots: dois Micro Chip e um Micro SD de até 32 GB.

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Temos as conexões Micro USB e P2 3.5 mm na parte superior do aparelho, enquanto que os botões de volume e power ficam em uma posição de fácil acesso na lateral direita.

Na parte da frente temos a câmera frontal e o auto falante na parte superior, e botões capacitivos na parte inferior. Botões esses que não são iluminados, tendo apenas uma textura metalizada.

A tela do Vibe B tem 4.5″ com resolução baixíssima de 480 x 854 pixel, resultando em 218 pixels por polegada. A tecnologia utilizada na tela é a IPS LCD, mas sem nenhum tratamento de qualidade que as telas andam recebendo hoje em dia, resultando naquela aparência “clara”, do tipo espelho, na tela. Algo bem típico daqueles smartphones de R$ 400,00 de três anos atrás.

A sensação é que ela irá riscar facilmente, até porque ela não tem proteção contra riscos (por isso a película no kit, Lenovo?), além de apresentar uma imagem de baixa qualidade e pixels a mostra o tempo todo.

As cores são lavadas e facilmente alteradas pelo ângulo de visão ruim, isso porque quando estamos de frente para o aparelho podemos até ver as cores como elas são, mas é só inclinar o smartphone um pouco para cima para baixo que elas clareiam ou escurecem rapidamente.

O nível de brilho da tela é razoável, sendo que o mínimo é muito alto, e o máximo é muito baixo, não deixando a gente ver a tela enquanto testava sob a luz do sol.

A resposta do toque é relativamente rápida, não oferecendo qualquer estranheza para quem está habituado com outros smartphones.

Lenovo Vibe B

 

Sistema

A Lenovo modifica levemente os sistemas que traz em seus aparelhos, como foi no Vibe K5 e no Vibe C2. No entanto, parece que dessa vez ela trouxe uma proposta diferente ao Vibe B.

O aparelho vem com o Android 6.0 Marshmallow, no entanto, o Android foi amplamente modificado pela Lenovo, alterando toda a aparência do sistema e a disposição das funções do Android Marshmallow em sua versão pura.

Apesar de sabermos de que gosto é gosto, e cada um pode interpretar o “bonito” de uma maneira, podemos considerar como inegável o fato de que a nova aparência do Android do Vibe B não é das melhores:

Mas afinal, porque isso? A resposta é encontrada ao usar o aparelho: Velocidade. O hardware do aparelho não é lá essas coisas (falaremos dele já já), dessa forma, o Android Marshmallow com sua aparência completa poderia sobrecarregar o sistema com recursos estéticos. Com essa nova interface implementada pela Lenovo, o sistema roda relativamente bem, sem apresentar grande engasgos em tarefas comuns e fluindo bem entre as telas graças ao fato de ter removido recursos estéticos e efeitos mais pesados.

No entanto, não podemos esconder: A impressão mesmo é que em alguns pontos faltou um pouco de capricho, afinal, misturar uma interface flat design com cores degradê não fica legal e não se trata de uma escolha de desempenho, não é mesmo Lenovo?

Em relação as funções extras, a Lenovo trouxe nas Configurações normais do Android (chamada de “Configurações de sistema”) uma função chamada de “Download turbo”, que simplesmente faz com que, quanto ativada, arquivos acima de 20 MB usem Wifi e 4G/3G ao mesmo tempo para fazer o download. Outra opção também encontrada foi a “Programar ligar/desligar”, que faz exatamente o que o nome diz, liga e desliga automaticamente o aparelho nos horários que você definir.

No entanto, a Lenovo colocou uma aba a mais nas configurações, gerando certa confusão. Essa aba (que se chama “Configurações”, não nos pergunte o motivo), traz as opções para ativar o gerenciamento do brilho da tela pelas teclas de volume, para ativar o teclado deslizante (efeito swype), para ativar o recurso de agitar para bloquear a tela e para ativar o pegue e silencie, um recurso que ao pegar o aparelho de uma mesa ele é silenciado automaticamente.

Todos esses recursos funcionam como são descritos, porém o ponto negativo fica por conta da falta de organização em relação a como eles são exibidos nas Configurações, que acaba dando a impressão de que não quiseram distribuir as funções nas telas certas como as duas que comentamos no parágrafo acima, e ai jogaram tudo em uma nova aba.

Em relação aos bloatwares (aplicativos pré-instalados pela fabricante), temos o Lenovo Companion, que traz alguns recursos como verificar atualizações, fazer diagnósticos no aparelho e coisas do tipo. Outros dois apps vem instalados, o SHAREit e o SYNCit. O primeiro auxilia no compartilhamento de arquivos com USB e coisas do tipo, e o segundo traz uma conta na nuvem para backup de contatos e SMS.

 

Desempenho e armazenamento

O Lenovo Vibe B traz um hardware modesto, com processador Quadcore de 1 GHz com chipset MediaTek MT6735M Cortex-A53, somado a GPU Mali-T720MP2 e 1 GB de RAM.

Antes de irmos para testes mais avançados de benchmark, sempre gostamos de testar o aparelho “fechando os olhos” para as especificações, afinal, só assim conseguimos testar sua velocidade na prática.

Como já dissemos quando estávamos falando do sistema, as trocas de telas são fluídas e não apresentam travamentos no sistema. Isso se deve muito mais a otimização do software que a Lenovo fez do que ao hardware propriamente dito.

Aplicativos como WhatsApp funcionam bem, com poucos lentidões ao carregar as mensagens e pequenos travamentos ao trocar de conversa.

Os problemas começam a surgir ao utilizar 2 ou mais aplicativos ao mesmo tempo, o que acaba gerando travamentos constantes, obrigando a fechar um deles para continuar a executar as ações fluidamente. Outro ponto é que sempre que ao voltar em um aplicativo aberto recentemente ele será carregado novamente, mostrando que a memória RAM de 1 GB não é mais suficiente hoje em dia para trazer um bom multi-tarefa.

Infelizmente isso já era esperado por termos um hardware fraco devido ao preço do aparelho. O objetivo parece ser trazer apenas a execução básica  de aplicativos relativamente leves como WhatsApp e outros mensageiros.

Em relação aos jogos, testamos três games, confira como foi a execução de cada um:

  • Pokémon GO: Começando pelo famoso game da Niantic, o Vibe B demora cerca de 30 segundos, em média, para abrir o jogo (o mapa do game). Depois do início, a execução é relativamente tranquila e não traz grandes problemas de hardware, a não ser que você tente voltar a outro app já aberto. Irá demorar, e muito. Portanto, o Vibe B roda Pokémon GO, mas ele consome praticamente 80% do aparelho.
  • Asphalt 8 Airborne: Dessa vez testando um game pesado, o Asphalt 8 estava relativamente bem até começar a primeira corrida, onde a experiência foi horrível, sendo praticamente impossível jogar devido a quantidade de lags, mesmo com gráficos no mínimo.
  • Subway Surfers: Um game mais leve como do estilo runner (esses que você corre desviando dos obstáculos) roda perfeitamente bem, mostrando que o Vibe B dá conta de jogos mais leves.

Dê uma olhada agora nos testes de benchmark comparando com outros aparelhos, que apesar de não serem 100% confiáveis, dão uma noção do que o hardware do Vibe B é capaz:

Um fator relacionado ao hardware que limita o usuário em relação a quantidade de apps que podem ser instalados no Vibe B é o seu pequeno armazenamento de 8 GB.

Considerando que os arquivos pessoais fiquem no cartão Micro SD (até 32 GB) e que o sistema ocupa quase 2 GB do armazenamento, você terá apenas 6 GB livres para instalação de apps. Para se ter uma ideia, só o Asphalt8 Airborne usado no teste já consumiu mais de 1 GB.

Isso deixa claro que aquele processo de apagar as imagens e vídeos recebidos pelo WhatsApp terá de ser feito algumas vezes utilizando o Vibe B.

 

Bateria

O Vibe B traz uma bateria de 2000 Mah, uma capacidade pequena para os dias atuais. No entanto, como seu hardware é simples e sua tela também, o aparelho economiza muito bem a bateria.

Em nossos testes, com o celular 100% carregado, deixamos um filme da Netflix com duração de 1 hora e 32 minutos, com brilho no máximo e Wifi ligado. No final do filme, a bateria estava no 42%. O resultado foi ótimo, mas não era por menos, como já dissemos, o sistema é leve e a tela é de baixa resolução, sendo a combinação ideal para uma boa duração de bateria.

No dia a dia, utilizando Spotify e WhatsApp o aparelho aguentou o dia todo longe da tomada, porém chegava quase esgotado as dez da noite.

O tempo de carregamento da bateria do 5% aos 100% foi de, em média, uma hora e quarenta minutos. O tempo é dentro da média dos smartphones atuais sem a tecnologia de carregamento rápido.

Lenovo Vibe B

 

Som

A Lenovo trouxe excelentes sistemas de sons no Vibe A7010 e no Vibe K5, no entanto, isso não se repetiu no Vibe B.

O problema começa pela posição do alto-falante, que é atrás, sendo abafado facilmente. O sistema de som em si é mediano, sendo alto e com alguns distorções, principalmente nos agudos, enquanto que os graves praticamente não existem nos alto-falantes.

O kit do aparelho traz fones de ouvido P2 simples na cor branca. A qualidade deles não é legal, porém nada que foge do padrão dos fones que vem em aparelhos até R$ 1.000,00 no Brasil.

Lenovo Vibe B

 

Câmera

O Vibe B se destaca um pouco da concorrência nesse preço por ter câmera frontal. A questão é que ter uma câmera é diferente de ter uma boa câmera, não é mesmo?

A câmera frontal de apenas 2 Mp conta com uma imagem pixelada, com pouco controle de luminosidade. Enfim, não se deve esperar algo de qualidade dessas lentes.

Já a câmera traseira traz uma resolução de 5 Mp, sem auto foco e sem foco por toque. No entanto, ela traz flash Dual LED e Modo HDR.

As fotos não saem boas, são um pouco lavadas e trazem uma definição baixa. Enquanto que em fotos noturnas o resultado é horrível, mostrando que as lentes não conseguem trabalhar bem com luzes artificiais.

Confira abaixo nossos testes. Para ver a imagem original, clique nelas e selecione a opção. Vale lembrar que nenhuma imagem foi otimizada.

 

Afinal, o Lenovo Vibe B vale a pena?

 

Pontos positivos

  • Preço baixo comparado a outros smartphones no mercado atual
  • Ter câmera frontal em um aparelho de entrada
  • Estrutura rígida e resistente
  • Expansível via cartão Micro SD de até 32 GB
  • Dual Chip
  • Duração da bateria

 

Pontos negativos

  • Tela de baixa qualidade
  • Sistema com modificações desorganizadas
  • Desempenho limitado
  • Armazenamento interno baixo (8 GB)
  • Câmeras de baixa qualidade

 

Vale a pena para quem?

A intenção da Lenovo com o Vibe B é claramente chegar naquelas pessoas que estão querendo entrar no mundo dos smartphones, que buscam algo simples para usar mensageiros e redes sociais, sem exigir uma câmera de ótima qualidade ou tarefas pesadas do aparelho.

 

Vale o que é cobrado?

O preço do Lenovo Vibe B gira atualmente (outubro de 2016) em torno de R$ 450,00 e R$ 549,00, dependendo da loja do varejo. O custo x benefício do aparelho é ruim se levarmos em conta que o jogo de câmeras não é bom, que o desempenho é baixo e que a tela apresenta uma qualidade fraca.

Infelizmente, nessa faixa de preço que gira em torno de R$ 500,00 não encontramos no mercado atual aparelhos tão diferentes do Vibe B, fazendo com que ele seja a opção “menos pior”.

O recomendado nesse caso seria dar uma olhada em dois aparelhos na casa dos R$ 600,00: O Vibe C2 e o Asus Zenfone GO, que entregam um conjunto um pouco mais completo tendo a mesma proposta de ser um smartphone de entrada, sendo mais recomendados que o Vibe B.

E você, o que achou? Está pensando em comprar um? Tem um e não concordou com algo? Comente!